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EDIÇÃO NÚMERO 62 - 17 DE NOVEMBRO DE 2005

Como estão, meus filhos? Ah! Estou muito feliz. recebi um e-mail bastante interessante de uma aluna. Olhem que interessante!

“Prezada Marilene. Sou aluna do 7º Período de Administração. Trabalho durante o dia com vendas. Sou comissionada e meu salário vai basicamente todo para pagar a faculdade e outras despesas pessoais como, por exemplo, o curso de inglês que eu faço sábado à tarde, pois trabalho até meio dia. Meu domingo serve pra acordar mais tarde, lavar e passar minha roupa, descansar e ainda estudar. Tudo bem. Eu sabia do sacrifício que seria. Pô, mas tem professor que não avalia direito a quantidade de trabalho que dá pra gente. Eu imagino que ele levou bastante tempo pra ter todo o conhecimento que tem. Só que ele quer mostrar isso tudo pra gente em um único semestre! Será que você não tem uns conselhos pra dar pra ele não?”

Veja bem, minha doce menina. Marilene não dá conselhos, apenas dicas, meu anjo. Mas antes de dar uma dica para ele, vai uma dica para você. Antes de se indignar com as coisas, procure ter uma conversa franca com o Professor. Ele há de entender seu esforço e o esforço de seus colegas. De toda forma, o semestre já está no final e agora a indignação só vai servir para desviar sua atenção do que é mais importante. A apresentação do Interdisciplinar está aí e você precisa estar envolvida com ele.
Quanto a você, meu caro professor, a dica é a seguinte. Não cabe a ninguém criticá-lo ou dizer-lhe como deve dar suas aulas. A arte de lecionar envolve didática, conteúdo programático, projeto pedagógico, estilo pessoal,...Entretanto, saber ouvir os alunos (aquele feedback que nós mesmos ensinamos para eles) não é apenas uma necessidade, mas também uma questão de humildade para se auto-avaliar. Acredito que seja um professor jovem e que não tenha ainda a bagagem que adquiri em minha graduação, pós-graduação, mestrado, pós-mestrado, doutorado, pós-doutorados e outros tantos cursos de especialização, apesar de ser talentoso e experiente o suficiente para trabalhar com a Prof. Marlene Catarina, todos sabemos que ela é muito exigente. Com o tempo, o Professor vai perceber que não é exatamente a quantidade de trabalhos que qualifica um aluno, mas sim a qualidade e a intensidade com que o conteúdo da matéria é passado. Lembre-se que as matérias que compõem a grade curricular de um curso de administração têm a função de embasá-los com suficiência para tomadas de decisão. Não serão 72 horas/aula que farão de nenhum aluno um especialista em uma matéria. A especialização fica para a pós-graduação, para o mestrado ou MBA. O bom professor é avaliado pelo que ele consegue deixar aos alunos, e não pelo que ele tira deles.


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