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EDIÇÃO NÚMERO 56 - 06 DE OUTUBRO DE 2005

REFERENDO. UM TIRO NO ESCURO

No próximo dia 23, estamos todos convocados para decidir sobre a proibição, ou não, do comércio legal de armas no Brasil. Votando NÂO, opção 1 da urna, você estará se decidindo contra a proibição. Votando no SIM, opção 2 da urna, você estará apoiando a proibição do comércio de armas.

Se você prestar atenção, a pergunta que está em debate já foi feita de forma "capciosa", com a clara intenção de confundir as pessoas e, assim, nossa proposta aqui não é influenciar no seu voto para o NÂO ou para o SIM.

Mas também não podemos nos isentar de emitir a nossa própria opinião, assim como fazemos com todos os outros assuntos, e assim como faria qualquer outro veículo de comunicação.

O referendo sobre a proibição de armas é um ato de covardia, pois, ao fazê-lo, o congresso transfere para a população uma obrigação que é totalmente sua. Por que não se faz um referendo para tratar do conserto das estradas, ou das mortes na fila do SUS, ou sobre aumento de impostos, ou mesmo da moralização da propaganda eleitoral, que tantos transtornos causou ao país nesse ano? Por que não se faz um plebiscito para proibir a venda de cigarros e bebidas no Brasil, sendo que, inclusive, muitos homicídios - seja por arma de fogo ou arma branca - ocorrem por influência direta do álcool????????????

O que se propõe com este referendo é a cassação dos direitos civis do cidadão, uma tutela do governo sob a responsabilidade civil. Nós não pretendemos comprar armas, e se ilude quem acredita que este processo de compra de armas vai se alastrar caso o NÂO vença o plebiscito. Ainda assim, um homicídio causado por uma arma legalizada leva a um culpado imediatamente, mesmo que ele não tenha sido o autor, mas a arma em questão estará vinculada a ele. Já homicídios causados por arma ilegal e, novamente não se iludam, continuarão acontecendo - não têm um responsável.

Não podemos dar ao bandido a certeza de que a população está desarmada. Deixar o bandido na dúvida acaba sendo nossa última esperança, pois os governos (federal, estadual e municipal), além de incompetentes e corruptos, já não tem mais força pra controlar a escalada da violência no país.

É bom que todos saibam que as grandes revoluções no mundo partiram do desarmamento da população. Assim foi a revolução Bolchevique e o Stalinismo, na Rússia, Hitler na Alemanha nazista, Pinochet no Chile, e muitas outras. O MST anda armado (com armas ilegais), mas prega o desarmamento. Os políticos poderão andar armados, mas pregam o desarmamento. Hoje, nos proíbem de ter armas. Amanhã, estarão nos proibindo de circular nas ruas após as 22 horas com a alegação de que é para nossa segurança.

Você que será obrigado a votar no dia 23 próximo, tem que formalizar sua opinião sob a influência dos fatos, e não dos atores globais que estão, inclusive, ganhando cachê para usarem suas imagens para influenciá-lo. Não se pode ser romântico num assunto como este. Não dá pra usar de utopia quando não temos mais tranqüilidade de dormirmos em nossa própria cama, dentro da nossa própria casa. Além do mais, as ameaças às nossas vidas não estão apenas ligadas a armas de fogo. Cacos de vidro, seringas com líquidos vermelhos (sabe-se lá o que tem nestas seringas), facas, estiletes, canivetes, facões, e muitos outros, são usados por bandidos e ninguém está pensando em fazer um plebiscito para proibir a venda destas eventuais armas brancas.

Pelo SIM, e pelo NÂO, já que todos somos obrigados a votar, façamos uma escolha com consciência e senso social.

VOCÊ TEM UMA CHANCE DE EXPOR SUA OPINIÃO NA PRÓXIMA EDIÇÃO DO “FACULDADE MENTAL”.

Já que, até agora, poucos professores tocaram no assunto com seus alunos, e a FNH não fez a menor questão de promover um debate sobre o assunto, na próxima edição, abriremos espaço para a publicação de duas opiniões sobre o referendo, uma pelo SIM e outra pelo NÂO.

Escrevam suas opiniões e enviem através do editorial@faculdademental.com.br ou através do FALE CONOSCO no nosso site.

Uma comissão formada pelo Cara, Carinha e Canalha, além de 3 professores, escolherá os dois melhores textos que defendem as duas opções. Os textos escolhidos serão publicados na próxima edição, com os nomes de seus autores. Contamos com sua participação.

Não deixem de enviar suas mensagens através do “Fale Conosco”.