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EDIÇÃO NÚMERO 45 - 30 DE JUNHO DE 2005

Semi-Deuses e Terroristas Ocultos
PROJETO INTERDISCIPLINAR 1º SEMESTRE/2005 UM TRIBUTO A SUBJETIVIDADE
Alguém já ouviu dizer que quando um árbitro de futebol aparece demais no jogo é porque ele não está apitando bem? Ou então já ouviu dizer que quando o goleiro do time é o que mais aparece no jogo é porque a coisa ta feia? Pois bem, qualquer um que ficasse parado à porta da secretaria acadêmica nos dias seguintes à divulgação das notas do interdisciplinar teria a certeza de que alguma coisa não estava correta. O assédio ao departamento, somado às caras decepcionadas e aos comentários maldosos e revoltados sobre os resultados eram evidências óbvias de problemas.

A emenda ficou muito pior do que o soneto. O novo formato de construção de notas permite um alto grau de subjetividade nas avaliações dos professores orientadores, dos professores que fizeram a correção do trabalho escrito ou da avaliação das apresentações. Fica clara a falta de compromisso de alguns professores no preenchimento das presenças dos alunos em reuniões de interdisciplinar, tendo casos específicos de professores que preencheram a lista toda de uma vez, atribuindo de forma aleatória presenças aos alunos. Há casos também de troca de notas porque a tabela que indica o aluno correspondente ao código A1 não corresponde ao aluno que deveria. Uma colcha de retalhos. A diminuição do valor do conteúdo na nota final deu enorme importância a detalhes burocráticos e deixou de levar em consideração o verdadeiro objetivo do trabalho interdisciplinar. Respondam, senhores Acadêmicos, quantos trabalhos foram realizados e quantos trabalhos foram produzidos? As normas da ABNT – ainda que isso faça parte das regras do jogo – suplantam os finais de semana de pesquisa e desenvolvimento do trabalho, quando muitos abriram mão até mesmo de suas famílias para cumprir com suas obrigações?

Como resposta, ouvem-se baboseiras como “problemas com a construção das notas”, quando seria muito mais simples e mais honesto dizer: erramos. O que se quer é apenas simplicidade. Uma fórmula de interdisciplinar que se repita, que leve em consideração o esforço dos alunos tanto quanto leva em consideração as normas ABNT, a freqüência em reuniões de interdisciplinar, e que tire o caráter subjetivo das avaliações. É preciso repensar, também, a questão dos professores orientadores, pois a carga de trabalho dos professores versus o tempo disponível que eles têm para efetivamente ajudar os alunos é bastante incompatível.

Se o projeto interdisciplinar é tão importante para a FNH que a mesma contrate professores com a responsabilidade real de orientar os alunos durante o semestre. Professores que conheçam o trabalho dos alunos, que participem da construção do trabalho e que saibam reconhecer quem se esforça e quem não se esforça.

O premio pelo projeto interdisciplinar não é só dos alunos, é também da FNH que enriquece seu currículo e sua “pontuação” junto ao MEC. Mas há que se estabelecer critérios justos de avaliação, há que se criar uma filosofia de interdisciplinar, mesmo levando em consideração o pouco tempo de vida da faculdade. As cenas de frustração e indignação dos alunos – e não foram poucos – são momentos lamentáveis que, temos certeza, nenhuma parte envolvida gostaria de ver novamente.

Senhores, a roda já foi inventada. Não há porque tentar inventá-la em outro formato. Outras faculdades também utilizam o projeto interdisciplinar, algumas há mais tempo. Quem já assistiu a aulas de marketing sabe muito bem que copiar o que está dando certo não é pecado nenhum. É Benchmarking. Mas mexer no time constantemente impede, inclusive, que seja possível descobrir quais fatores foram fundamentais para se chegar aos acertos já obtidos. Dessa vez a maionese desandou......

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