EDIÇÃO NÚMERO 35 - 07 DE ABRIL DE 2005


SILÊNCIO ENSURDECEDOR:
A história é repleta de personagens caçados ou amordaçados no seu direito de expressão. Vozes foram caladas, mas jamais os pensamentos. Movimentos foram dissipados, mas jamais seus ideais. "Libertas Quae Será Támem" (Liberdade, ainda que tardia). Esquartejaram Tiradentes, mas nunca seu ideal e sua luta. Mata-se o homem, mas seu brado ecoa mais vivo do que nunca entre nós. Os regimes socialistas e ditatoriais tentaram e conseguiram em alguns momentos, mas ao primeiro brado de liberdade, ditadores foram dizimados, muros derrubados, regimes abolidos, mostrando o quão ensurdecedor pode ser o despertar de um povo oprimido. Julgar os modelos e métodos de "resistência" adotados contra os regimes opressores, é fazer um juízo de valor que pouco acrescenta, sendo mais importante uma reflexão sobre a participação de estudantes, filósofos, sociólogos, acadêmicos, intelectuais e pessoas comuns que se opunham a um "poder ilegítimo" que não representava suas vozes, mas que as oprimiam e emudeciam. Muitos de nós, alunos da FNH, só conhecemos esses fatos como história. Outros tantos, como professores, funcionários e mesmo alguns alunos, presenciaram a triste história do Brasil, cujo golpe militar completou 41 anos, em 31 de março passado. Ainda bem que não se comemora esta data.
O objetivo desse editorial é fazer "link" com um passado recente, para que ninguém esqueça de uma época negra e, para que ao menor deslize democrático, normalmente influenciado pelo poder, possa reavivar na memória, um tempo de censuras e injustiças. O “FM” tem a finalidade de levar informação a todos, sem exceção, reproduzindo a linguagem dos corredores e estabelecendo uma via de várias mãos. Não somos de esquerda, de centro ou de direita, mas humor, irreverência e crítica consciente, sempre responsável. Visamos à construção de relações amenas e sem censura, com a premissa básica de que todos possam se expressar.
Jamais haverá uma “FNH” consistente, se as pessoas que a compõem não utilizarem, com responsabilidade, o seu direito de expressão, refletindo ao mercado um diferencial da qualidade. Somos lidos e comentados por todos, apesar da percepção de que ainda existem alguns com receio para admitir abertamente. Calam-se as vozes, mas não os pensamentos e ideais. A maioria dos professores nos ensina a nunca desistir diante de obstáculos. Que não existe problema irreversível quando se quer e se tem a humildade para enfrentá-lo.
Por sua origem, a FNH nos dá a certeza de que jamais haverá censura, pois foram as Universidades Federais que através de greves e movimentos estudantis, se tornaram uns dos instrumentos mais importantes para soltar gritos de liberdade no final da década de 1970, rumo ao fim da ditadura militar. Senhores, graças a Deus não estamos mais em 1964. Uma grande e sensata parte do mundo, luta por integração para que não existam mais muros a serem derrubados. E nós temos que lutar juntos para que novos muros não sejam construídos, mas sim, novos horizontes límpidos, transparentes e livres. "Libertas Quae Será Támem". Acreditamos realmente nisso.

"Discordo daquilo que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de o dizeres"

Voltaire
"O riso é a distância mais curta entre
duas pessoas"
Victor Hugo
 
     
FM